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A Produção e Comercialização do Morango em Portugal

O morango (Fragaria, sp.) é o fruto do morangueiro, uma planta de renovação anual, pertencente à família da Rosáceas.

Originário do Chile e dos Estados Unidos da América, o morangueiro só começou a ser cultivado para consumo na Europa, a partir do século XIV, na côrte de Carlos V, em França. No século seguinte, a cultura expandiu-se para Inglaterra, sendo largamente difundida por toda a Europa até finais do século XIX.

O maior produtor, a nível mundial, são os Estados Unidos da América, que anualmente contribuem com cerca de 28% da produção mundial. Na Europa, produz-se cerca de 40% do volume mundial, destacando-se como principais produtores a Espanha, a Polónia, a Federação Russa, a Itália e a Alemanha. A Ásia contribui com cerca de 18%, sendo o Japão, a Coreia do Sul e a Turquia os países com maior produção.

Em Portugal, esta cultura ocupa uma área de 550 hectares, que dá origem a uma produção anual superior a 12.000 toneladas.

As regiões com maior peso na produção são o Algarve, o Ribatejo e Oeste e o Alentejo. A Beira Litoral e Trás-os-Montes, sendo menos representativas, possuem núcleos de produção importantes, com a vantagem de terem uma calendarização mais tardia.

No Alentejo predomina a cultura protegida, localizada quase na totalidade nos concelhos de Odemira e Santiago do Cacém; no Ribatejo e Oeste predomina a cultura sob coberto, estando a cultura de ar livre confinada à região do Oeste. No Algarve, a maior concentração de produtores localiza-se na região da Campina de Faro/Olhão, obtendo-se metade da produção de estufa e metade de ar livre.

As variedades comercializadas não reflorescentes ou de dia curto são as seguintes: Camarosa, Chandler, Kwesta, Carisma, Camarillo, S. Juan, El Capitan, El Dorado, Chiflon, Agoura, Ventana e Candonga. Quanto às variedades remontantes ou de dia neutro podemos encontrar no mercado a Selva, a Irvina,a Diamante,a Aroma e a Seascape.

Do ponto de vista nutricional, destaca-se o seu conteúdo em fibra, vitamina C (esta presente em maior quantidade que nos citrinos), ácidos orgânicos, óleos essenciais, potássio, pectina, e pigmentos vermelhos. Os morangos contêm ainda xilitol, um edulcorante que se usa habitualmente como substituto da sacarose.

Pelo seu sabor doce e perfumado, os morangos são deliciosos ao natural, polvilhados com açúcar ou cobertos com chantilly, sendo também bastante utilizados em vários pratos culinários, como sobremesas, compotas ou gelados.

Sendo frutos muito perecíveis, as perdas pós-colheita podem alcançar níveis importantes, caso não sejam utilizadas técnicas correctas de colheita. Estas perdas podem ser de carácter quantitativo e/ou qualitativo, o que implicará prejuízos para o produtor, o comerciante e o consumidor.

A pré-classificação dos frutos durante a colheita é muito importante, devendo ser eliminada toda fruta deformada, danificada por fungos ou insectos ou muito madura.

A colheita do morango é uma das operações mais delicadas e importantes de todo o ciclo da cultura. Os frutos do morangueiro são muito delicados e pouco resistentes, em virtude da epiderme delgada, grande percentagem de água e alto metabolismo, o que exige muitos cuidados durante a colheita. Se forem colhidos muito maduros, poderão chegar em decomposição e com podridões ao mercado; se forem colhidos ainda verdes, terão alta acidez, adstringência e ausência de aroma. Em ambos os casos, o produto chega ao mercado com baixo valor comercial.

O sabor do morango é um dos mais importantes aspectos de qualidade exigidos pelo consumidor, sendo condicionado em parte pelo balanço açúcar/acidez do fruto.

Em geral, o morango pode ser conservado à temperatura de 0ºC com 90-95% de humidade relativa durante 3 a 5 dias. È essencial que durante o transporte seja refrigerado pois assim pode-se manter a cadeia do frio.

Por ser um fruto rasteiro, antes do seu consumo convém lavá-los cuidadosamente para eliminar eventuais impurezas. Deve-se limpá-los em água corrente e, se possível, deixá-los de molho em água acidificada (limão ou vinagre) durante 15 minutos.

Apesar de encontrarmos morangos no mercado ao longo de todo o ano, devido à utilização de variedades com produções escalonadas, o pico da produção ocorre durante o mês de Abril. Contudo, muitos produtores estão a apostar numa produção mais intensa no período entre o Natal e o Carnaval, altura em que os preços são mais elevados e depois a partir de meados de Maio até ao final do Verão, altura em que, devido às elevadas temperaturas, os espanhóis não conseguem produzir.

A maioria dos produtores cultiva as suas áreas após contratualização da produção com as grandes superfícies. No mercado interno, o morango é comercializado através das grandes superfícies de venda, dos mercados abastecedores dos grandes centros urbanos e dos mercados regionais. Os frutos que não possuem qualidade ou calibre para a comercialização em fresco são canalizados para a indústria de transformação.

A balança comercial é deficitária – as vendas ao exterior são modestas, comparativamente às aquisições. Contudo, as expedições de morango nacional têm aumentado nas últimas campanhas. O Reino Unido, a França, a Holanda e alguns países do norte da Europa são mercados onde o morango português tem boa aceitação.

Em Portugal, a cultura em hidroponia, que permite boas produtividades e uniformidade dos frutos, a par da redução do consumo de água e nutrientes, tem vido a aumentar. Alguns dos maiores produtores têm vindo a proceder à substituição dos estufins por túneis altos, nos quais podem trabalhar máquinas, contando assim reduzir custos, para além dos tratamentos fitossanitários poderem ser efectuados com maior facilidade e segurança. 

A tendência aponta para um incremento do sistema de produção em substracto e para se estender o calendário de produção e comercialização, de modo a que haja oferta durante todo o ano e menor concentração nos habituais picos de oferta. Está em fase de pré-reconhecimento uma organização de produtores instalada no litoral alentejano, que produz e comercializa morango e framboesa.

Devido a uma crescente exigência dos consumidores, vai havendo, progressivamente, maior aderência à produção de morango em Protecção Integrada e também em Agricultura Biológica.

 
 
 
 
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