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A Produção e Comercialização do Pêssego em portugal

O pessegueiro (Prunus persica, L.) é uma fruteira da família das Rosáceas, originária da China e o seu cultivo remonta há mais de 2000 anos. Os romanos descobriram o fruto durante o império de Nero. Na idade média, os curandeiros acusaram-no de ser um fruto venenoso, mas nos séculos XVI e XVII, cultivado por toda a Europa e muito apreciado por todos, a França já era o principal centro de produção da espécie. Em Inglaterra, durante o reinado da rainha Victória, o pêssego tornou-se um símbolo de requinte, sendo servido em todos os jantares de cerimónia.

Actualmente, o pêssego é uma das frutas mais largamente difundidas pelo mundo, estimando-se a sua produção mundial e anual em cerca de 15 milhões de toneladas, distribuídas por uma superfície de 1.4 milhões de hectares, de acordo com os dados da FAO.

A China é o maior produtor do mundo, com um volume de produção que representa 40% do total mundial. A Europa é responsável por 27% da produção mundial, seguida pelos Estados Unidos da América, com 9%. Espanha e Itália lideram a produção europeia, com volumes anuais em torno de 1 milhão de toneladas cada, seguidos pela Grécia e a França.

Em Portugal, as principais regiões produtoras são o Ribatejo e Oeste, Palmela, Algarve, Campo Maior, Vilariça e Cova da Beira, possuindo esta última a designação de IGP – Indicação Geográfica Protegida. A área de cultura no nosso país é de 6.729 hectares, obtendo-se uma produção anual de cerca de 52.000 toneladas.

A produção nacional de pêssego encontra-se fortemente atomizada – nas principias regiões produtoras, mais de 90% das explorações possui uma área inferior a 2 hectares, sendo o peso das explorações com mais de 10 hectares muitíssimo reduzido.

Dentro da enorme variedade de variedades de pêssegos produzidos em Portugal, cerca de 95% possuem polpa amarela. Em relação à cor da epiderme, são melhor aceites pelo consumidor e mais valorizados os frutos de coloração vermelha. Podemos agrupar as diversas variedades em quatro tipos diferentes: pêssegos de polpa amarela, pêssegos de polpa branca, nectarinas e pavias.

Ao contrário do que poderia parecer, devido ao seu doce sabor, o pêssego não é uma fruta de grande porte energético, possuindo cerca de 85% de água. Destaca-se a sua riqueza em fibras e alguns minerais como potássio, magnésio e iodo e vitaminas hidrossolúveis.

Tal como nas outras frutas de coloração amarela ou alaranjada, o pêssego contém beta-caroteno, que lhe confere uma acção antioxidante e contribui para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, degenerativas e do foro oncológico.

Nutritivo e versátil, o pêssego pode ser saboreado fresco, em saladas de frutas,  escaldado para fazer bolos, tortas e outras sobremesas ou em conserva, denominado pêssego em calda.

Parte da produção nacional destina-se à indústria transformadora, onde os pêssegos são usados em sumos, iogurtes e conservas.

A colheita deste fruto tem início em Maio no sotavento algarvio e termina em Outubro, na Cova da Beira. O pico de produção ocorre entre 15 de Julho e 15 de Agosto.

Após colhidos cuidadosamente, os frutos devem apresentar um desenvolvimento e um grau de maturação que lhes permita suportar a manipulação e o transporte, e responder às exigências comerciais do mercado.

O escoamento do pêssego efectua-se, na sua maioria, através das Organizações de Produtores, armazenistas e produtores individuais com alguma dimensão, com destino às grandes cadeias de distribuição, aos mercados abastecedores e aos mercados regionais. A indústria de transformação efectua contratos de fornecimento com alguns produtores, absorvendo também parte dos frutos que não têm qualidade ou calibre para consumo em fresco.

No que se refere ao comércio internacional, a balança comercial portuguesa é deficitária, em virtude do valor das vendas ao exterior ser reduzido face ao das entradas.

Espanha é o nosso principal fornecedor, com uma quota superior a 90%. No que concerne às vendas, o principal cliente para o pêssego nacional é a União Europeia, com destaque para o Reino Unido, Espanha e França.

A produção nacional e sua comercialização está muito aquém das expectativas, devido a vários factores, como a elevada dispersão dos pomares e das unidades de armazenamento, que impedem a concentração da oferta e desorganizam o mercado; a escolha de variedades para novas plantações ser feita de modo bastante empírico (frequentemente por indicação dos comerciantes); e, em algumas regiões, o grande factor limitante para a expansão da cultura, que é a disponibilidade de água.

A zona da Cova da Beira, especializada na produção de pêssego de variedades tardias, tem potencial para crescer, podendo ser competitiva no mercado externo, particularmente em Espanha, graças à excelente qualidade dos frutos.

 
 
 
 
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