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Os Pequenos Frutos

Os pequenos frutos, pela sua cor intensa e sabor muito característico, foram desde sempre utilizados para consumo em fresco e na confecção de doces, compotas, bebidas fermentadas, licores, iogurtes, gelados e ainda na obtenção de aromatizantes e especialidades farmacêuticas. Estes frutos, frescos ou transformados, ocupam um lugar de destaque na dieta e na culinária tradicional de vários países.

Portugal apresenta uma diversidade de condições climáticas e pedológicas, que permitem a cultura de pequenos frutos ao ar livre e, graças aos Invernos amenos da sua orla costeira, em especial no Algarve, Alentejo e Oeste, é possível a cultura protegida para produção fora de época ao longo do Outono, Inverno e Primavera.

De entre os vários géneros e espécies normalmente englobados sob a designação de ‘’pequenos frutos’’, destacam-se, pelo seu apreciável valor económico, o mirtilo,  a  framboesa, a amora, e a groselha (e também o morango, que, pela sua importância económica no nosso país, foi abordado num artigo próprio). Não havia em Portugal a noção do cultivo destas espécies, tendo os primeiros ensaios sido instalados em 1985. Dois anos mais tarde surgiram as primeiras duas empresas agrícolas a produzir framboesas e amoras. Actualmente a produção encontra-se pulverizada por todo o país, desde o Algarve até ao Minho e destina-se tanto ao mercado interno como ao externo – para consumo em fresco ou congelação.

O mirtilo (Vaccinium myrtillus), também conhecido como arando, é um arbusto que pertence à família das Ericáceas e que cresce em sub-bosques de florestas temperadas na Europa. Vive em regiões nas quais o Inverno é bastante rigoroso – em Portugal  é na zona do médio Vouga que se encontra o local ideal para a produção deste fruto, nos concelhos de Oliveira de Frades, Sever do Vouga e Albergaria-a-Velha.

O mirtilo é uma planta medicinal, da qual se podem usar quase todas as partes da planta, flores, folhas, fruto e raízes, sendo o fruto que contém mais antioxidantes, que actuam na prevenção dos sinais do envelhecimento. É conhecido pela sua riqueza em diversas vitaminas como a A, B, C e PP, possuindo ainda sais minerais, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, ferro, manganês, açucares, pectina, tanino, ácidos cítrico, málico e tartárico.

A versatilidade culinária é uma característica que lhe está associada - combina com caça, saladas e outros pratos, tartes, bolos, pudins, biscoitos, gelados, batidos, é usado no fabrico de rebuçados, não podendo deixar de salientar o licor destas pequenas bagas.

 
A framboesa (Rubus idaeus) é originária da Europa, onde cresce de um modo selvagem nos locais frescos. Pertence à família das Rosáceas e necessita de zonas temperadas, com Verões frescos. Embora resista bem ao frio, não suporta o frio excessivo nem as geadas. Para poderem adquirir todo o seu sabor, as framboesas devem amadurecer na planta. Diferentemente da amora, a framboesa é um fruto oco.

Conhecida como a “rainha das bagas,” possui uma cor rosada e um aspecto guloso. A  framboesa  pode ser consumida ou preparada da mesma forma que o morango, embora seja muito menos usada entre nós.

É um fruto naturalmente rico em vitamina C que promove um efeito antioxidante e protector do sistema imunológico. Além disso, contém minerais como cálcio, potássio, magnésio e ferro, este último muito útil na absorção da vitamina C. Boa fonte de fibras, é também rico em água, o que o torna indicado para casos de obstipação e níveis altos de ácido úrico.

Tradicionalmente usa-se na confecção de doces, gelados, mousses, mas pode optar por saborer-se ao natural.

A amora (Rubus fruticosus) é o fruto (pseudobaga) de arbustos vulgarmente designados como silvas, da família das Rosáceas. Os frutos são usados para a composição de sobremesas, compotas e, por vezes, vinho. São muitos os tipos do que é vulgarmente designado como "amora" – incluindo muitas cultivares híbridas, com mais de duas espécies ancestrais. A amora silvestre é designada como pseudobaga já que é, de facto, um fruto agregado, constituído pela reunião de diversas drupas.

Fruto naturalmente rico em vitamina E e ferro, promove o bom funcionamento do sistema circulatório e protege contra a anemia e, descoberto recentemente, contra a doença de Alzheimer. Pode ser consumido fresco, em sumos, compotas e em geleias.

A groselha (Phyllanthus distichus) é uma fruta quase desconhecida e pouco utilizada entre nós, constituída por pequenas bagas vermelhas que crescem em cacho. É utilizada principalmente na forma de xarope, que serve de base para diversas bebidas. Em algumas regiões, é usada para a confecção de molhos que acompanham carneiro, aves e caça. É igualmente usada para compotas.

As groselhas facilitam a digestão e acalmam cólicas e enxaquecas, razão pela qual são usadas na Suécia como produto farmacêutico. Podem ser ingeridas fresco ou em geleia. Estes frutos são oriundos da Ásia e da Europa e podem ser encontrados no seu estado selvagem em margens de caminhos., normalmente em terreno húmidos. Actualmente, cultivam-se espécies com fins comerciais, sendo os principais produtores a Itália, a Bélgica, a Holanda e a Inglaterra.

Estes frutos possuem baixo valor calórico, pelo seu escasso aporte em hidratos de carbono. São especialmente ricas em vitamina C as groselhas negras e as vermelhas, que possuem quantidades maiores que alguns citrinos. Quando estão mais verdes, são ricos em taninos, o que lhes confere uma sensação de aspereza e o paladar resulta adstringente e refrescante, no entanto, uma vez atingida a maturação, os taninos diminuem e os frutos adquirem propriedade laxantes, tónicas e depurativas.

 

Os pequenos frutos, em geral, são um produto de elevado valor acrescentado, com considerável incorporação de mão-de-obra, estando associados a pequenas empresas, na sua maioria, tipo familiar. Por este motivo é extremamente difícil quantificar áreas e produções. Contudo, as estimativas apontam para uma produção nacional anual, para consumo em fresco,  dde 500 toneladas   para a framboesa e 400 tons de mirtilo. Para a indústria, produzem-se 50 toneladas de amora silvestre e 22 de framboesa.

Em Portugal, a produção de pequenos frutos tem vindo a aumentar desde há uma dezena de anos, devido às excelentes condições climáticas de algumas regiões do país, em especial para a produção fora de época, berma como ao aumento da procura nos mercados europeus nesses períodos.

A amenidade do clima, especialmente no período de Outono-Inverno possibilita a obtenção de produções de elevada qualidade, a custos unitários relativamente baixos. Destes quatro frutos, a framboesa e o mirtilo são as espécies mais importantes para consumo em fresco. A estrutura produtiva é maioritariamente empresarial, havendo também alguns produtores individuais com expressão. Em Trás-os-Montes, a produção de framboesa e de amora silvestre destina-se, na quase totalidade, à indústria da congelação.

Em cultura protegida consegue-se produzir framboesa durante praticamente todo o ano nas regiões do litoral alentejano, Algarve e Ribatejo e Oeste. No caso do mirtilo, o calendário de produção estende-se de Março a Dezembro no litoral alentejano e de Abril a Agosto no Ribatejo e Oeste na Beira Litoral.

Na cultura de ar livre, é possível obter produção de framboesa entre Abril e Setembro e de mirtilo entre Maio e Setembro, em quase todas as regiões, Portugal tem condições para produzir framboesa entre Outubro e Dezembro, período em que nenhum país consegue produzir. Esta é uma das mais valias que faz com que o sector tenha grande rentabilidade, sendo também uma das razões pelas quais as empresas de capital estrangeiros se têm vindo a instalar no nosso país.

A colheita destes frutos é realizada manualmente, sendo precisamente a mão-de-obra o factor de produção com maior peso nestas culturas. O grau de maturação à colheita depende das espécies e do destino da produção. Assim, as framboesas destinadas ao mercado interno ou à transformação colhem-se na maturação fisiológica, isto é, quando os frutos apresentam uma boa coloração e o grau de açúcar atingiu o seu ponto máximo. As framboesas destinadas à exportação são colhidas um pouco mais cedo, quando a cor das bagas ainda é rosada, pois nesta fase a sua resistência ao manuseamento e ao transporte é maior. As amoras e os mirtilos, mais resistentes do que as framboesas, são colhidos maduros.

No nosso país, as grandes superfícies de venda, as gelatarias e as confeitarias são os principais clientes para estes produtos. Cerca de 95% da produção, tanto em fresco, como congelada destina-se ao mercado externo e apenas 5% ao mercado interno.

Os preços pagos ao produtor variam consoante a época de produção, atingindo valores máximos entre Outubro e Dezembro e valores mínimos entre Março e Maio. Em Portugal, os preços ao consumidor são muito elevados, em consequência das elevadas margens de comercialização da distribuição, o que tem impedido, de certo modo, o aumento do consumo nacional deste tipo de frutos.

A balança comercial é favorável. Para isto contribuem decididamente três factores: uma produção vocacionada para o mercado externo, um produto de elevada qualidade, já com mercados conquistados, e um consumo nacional muito reduzido. As nossas vendas destinam-se quase exclusivamente à União Europeia. A Espanha e os Países baixos são os nossos principais fornecedores.

A cultura dos pequenos frutos (groselhas, framboesas, mirtilos e amoras) pode, em várias regiões do País, ser uma excelente alternativa à fruticultura tradicional. Portugal pela sua dimensão, não pode ser um importante competidor em volumes de produção, mas pode ocupar uma razoável faixa de mercado com produções de qualidade, em especial se os custos de produção forem pouco elevados.

Agentes ligados ao sector estimam, para o período 2007-2013, uma aumento na produção de framboesa de cerca de 300%. Todos os mercados do leste europeu são uma boa aposta para Portugal, pois têm elevados hábitos de consumo de pequenos frutos e não os conseguem produzir fora de época devido ao clima.

 
 
 
 
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