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O Mercado da Laranja em Portugal

A laranja (Citrus sinensis L. Osbeck) é o fruto produzido pela laranjeira, uma árvore da família das Rutáceas. Trata-se de um fruto híbrido, criado na antiguidade a partir do cruzamento do pomelo com a tangerina.

A laranja foi trazida da China para a Europa, no século XVI, pelos portugueses. Na segunda metade do século XIX descobriu-se na Baía, no Brasil, uma laranja que era mais doce, sumarenta e agradável à vista, sem caroços e com um umbigo no extremo oposto ao pedúnculo. Foi levada para os Estados Unidos da América, donde se converteu anos mais tarde na rainha das laranjas, a variedade conhecida como Washington Navel.

Actualmente, a laranja é um dos frutos mais difundidos pelo mundo, sendo os principais países produtores o Brasil, os Estados Unidos (reunindo estes dois países mais de 50% da produção mundial), Espanha, Itália, México, Índia, Israel, Argentina e China.

Em Portugal ocupa uma área de 20.361 hectares, obtendo-se uma produção anual superior a 200.000 toneladas. As áreas de mercado mais representativas são o Algarve, o Ribatejo e a Vidigueira. A região do Algarve tem uma representatividade de 65% e 69%, respectivamente, na área e na produção total de laranja do Continente. É nesta região que se conseguem as melhores produtividades, sendo os pomares regados em todas as fases do desenvolvimento, inclusive quando os frutos são deixados nas árvores à espera de melhor oportunidade de colheita.

As principais variedades produzidas no nosso país são: Baía (Washington Navel), Newhall, Dalmau (Navelina), Lane Late, Navel Late, Rhodee Barnfield, Valência Late (clones: D. João, Frost, Olinda), de Setúbal e Jaffa.

A laranja é a segunda espécie, a seguir à maçã, com maior volume de produção de frutos frescos a nível do Continente. O mercado dispõe de diversas variedades de laranjas com particularidades no seu sabor, suculência, dimensão, condições de cultura e de produtividade diferentes. Isto permite que se possa escolher o tipo mais adequado para cada emprego concreto, quer seja para o seu consumo como fruta de mesa, sumos ou para o fabrico de diferentes derivados.

Existem duas espécies de laranjas, cada uma com numerosas variedades que são diferenciadas sobretudo entre si no sabor. As laranjas doces são as laranjas de mesa por excelência, frequentemente, comidas ao natural ou espremidas para obter sumo, enquanto as laranjas amargas têm um sabor tão ácido e amargo que não se consomem em cru, reservando-se para a elaboração de doces e a obtenção de óleos essenciais.

A laranja é um dos frutos com maior protagonismo na gastronomia, dado que se emprega nas diferentes cozinhas internacionais para acompanhar diversos pratos, na confecção de bolos, tortas, biscoitos, batidos, salda de fruta e molhos. Combinam bem muito com o chocolate, estes porque é frequente que sejam empregados como recheios de produtos pastelaria e pastelaria. A laranja é ingrediente fundamental nos molhos agridoces típicos da cozinha oriental, como acompanhamento excelente para pratos de carne.


Da sua composição nutricional, destaca-se o seu escasso valor energético, graças ao seu elevado conteúdo em água e à riqueza em vitamina C, ácido fólico e minerais como potássio, magnésio e cálcio. Contém quantidades apreciáveis de beta-caroteno, responsável pela sua coloração típica e conhecido pelas suas propriedades antioxidantes. Uma laranja mediana ou um copo de sumo cobrem praticamente 100% das recomendações diárias de vitamina C, que são de 60 miligramas para uma pessoa adulta, sendo um óptimo alimento para prevenção de constipações.


A laranja é também uma boa fonte de ácido cítrico, o que potencia a acção da vitamina C. A quantidade de fibra é apreciável, e esta encontra-se sobretudo entre a casca e polpa, na “parte branca” da laranja, que é muitas vezes removida.


Em, Portugal, a comercialização ocorre durante todo o ano, graças à utilização de variedades temporãs de meia estação e tardias. As variedades Dalmau e Newhall têm a sua época de produção entre Novembro e Março, quanto às variedades Baía e Jaffa de Fevereiro e Abril e as Valencia Late e Lane Late desde Março a Agosto, estas exclusivamente na região algarvia.

Normalmente a comercialização da laranja é efectuada após a colheita, pois as estruturas de frio são escassas, recorrendo-se a estas apenas no caso de excesso de oferta e apenas para conservação, uma vez que a laranja não amadurece após a colheita.

No circuito de comercialização destacam-se, como principais intervenientes, os armazenistas, os produtores individuais com alguma dimensão e as Organizações de Produtores Reconhecidas, neste caso, apenas no Algarve. No mercado interno, os frutos destinam-se, na maioria, às grandes superfícies de venda, aos mercados abastecedores dos grandes centros urbanos e aos mercados regionais, sendo uma pequena parte canalizada para a indústria de transformação.

A balança comercial é deficitária. O principal fornecedor do mercado nacional é a Espanha, com uma quota de 62% e, em período de contra-estação, a Argentina, o Brasil, o Uruguai e a África do Sul, que em conjunto, representam 2,6%. As vendas ao exterior destinam-se na quase totalidade à União europeia, com destaque para Espanha.

No Ribatejo e Oeste esta cultura tem vindo a perder importância e, como não tem havido investimento no sector, muita da produção é canalizada para a indústria, por falta de qualidade para a comercialização em fresco. No Algarve, a entrada em funcionamento do perímetro de rega do Sotavento Algarvio, assim como o recente alargamento da UE aos novos estados membros, poderão ser factores estimulantes a investimentos em novas plantações.

 
 
 
 
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